Mostrando postagens com marcador Pero magalhães gandavo. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pero magalhães gandavo. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

Os índios Aymorés


Os indios Aymorés - Pero de Magalhães Gandavo

Extraído de “Tratado da Terra do Brasil”, 1570

Pagina Pero Magalhaes  Gandavo

N.R. : Pero de Magalhães Gandavo era português e morou algum tempo no Brasil. De volta a Portugal, escreveu duas obras sobre o Brasil : “Tratado da Terra do Brasil” (1570) e “Historia da Provincia de Santa Cruz” (1576). Posteriormente estas obras foram unificadas em um só livro, “Historia da provincia de Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos de Brasil”. No texto abaixo, descreve os Aymorés, e o perigo que eles representavam aos portugueses e escravos. O texto original é em português arcaico, e foi corrigido para o português atual.

Duma nação de gentes que se acha nesta capitania (de Ilhéus) :

Pelas terras desta Capitania (de ilhéus) até junto do Espirito Santo, se acha uma certa nação de gentio que veio do sertão há cinco ou seis anos, e dizem que outros indios contrários destes, vieram sobre eles às suas terras, e os destruiram todos, e os que fugiram são estes que andam pela Costa.

Chamam-se Aymorés, a língua deles é diferente dos outros índios, ninguém os entende, são eles tão altos e tão largos de corpo que quase parecem gigantes; são muito alvos, não têm parecer dos outros índios na terra nem têm casas nem povoações onde morem, vivem entre os matos como brutos animais; são muito forçosos em extremo, trazem uns arcos muito compridos e grossos conforme a suas forças e as flechas da mesma maneira. Estes índios têm feito muito dano aos moradores depois que vieram a esta Costa e mortos alguns portugueses e escravos, porque são inimigos de toda gente. 

Não pelejam em campo nem têm animo para isso, põem-se entre o mato junto dalgum caminho e tanto que passa alguém atiram-lhe ao coração ou a parte onde o matem e não despedem flecha que não na empreguem. Finalmente, que não têm rosto direito a ninguém, senão a traição fazem a sua. As mulheres trazem uns paus tostados com que pelejam. 

Estes indios não vivem senão pela flecha, seu mantimento é caça, bichos e carne humana, fazem fogo debaixo do chão por não serem sentidos nem saberem onde andam.

Muitas terras viçosas estão perdidas junto desta Capitania as quais não são possuídas dos portugueses por causa destes índios. Não se pode achar remédio para os destruírem porque não têm morada certa, nem saem nunca de dentro do mato: E assim quando cuidamos que vão fugindo ante quem os perseguem, então ficam atras escondidos e atiram aos que passam descuidados. Desta maneira matam alguma gente. 

Todos quantos indios há no Brasil são seus inimigos e temem-os muito, porque é gente traiçoeira. E assim onde os há nenhum morador vai a sua fazenda por terra, que não leve quinze, vinte escravos consigo, de arcos e flechas. 

Estes Aymorés são muito ferozes e cruéis, não se pode com palavras encarecer a dureza desta gente. Não andam todos juntos, derramam-se por muitas partes, e quando se querem ajuntar assobiam como pássaros ou como bugios de maneira que uns aos outros se entendem e se conhecem.

Tambem os portugueses matam alguns deles, e têm muitos destruídos, principalmente nesta Capitania dos Ilhéus, e guardam-se muito deles, porque já sabem suas manhas e conhecem muito bem sua malicia.
----------------------- FIM -----------------------

Pero de Magalhães Gandavo - historiador portugues


Link para mais cartas e documentos[5]

Link para outras antologias[3]
Home[5]

Dos costumes da terra

 

Dos Costumes da terra - Pero de Magalhães Gandavo 

Extraido de : “História da Província Santa Cruz, a que vulgarmente chamamos Brasil” , 1576

Pero de Magalhães Gandavo, l'Historia da provincia Sancta Cruz

N.R. : texto original é em portugues arcaico, transcrito aqui em português atual.

As pessoas que no Brasil querem viver, tanto que se fazem moradores da terra, por pobres que sejam, se cada um alcançar dois pares ou meia dúzia de escravos (que pode um por outro custar pouco mais ou menos até dez cruzados) logo tem remédio para sua sustentação*; porque uns lhe pescam e caçam, outros lhe fazem mantimentos e fazenda e assim pouco a pouco enriquecem os homens e vivem honradamente na terra com mais descanso que neste Reino**, porque os mesmos escravos índios da terra buscam de comer pera si e pera os senhores, e desta maneira não fazem os homens despesa com seus escravos em mantimentos nem com suas pessoas.

A maior parte das camas do Brasil são redes, as quais armam numa casa com duas cordas e lançam-se nelas a dormir. Este costume tomaram os índios da terra.

Os moradores destas capitanias tratam-se muito bem e são mais largos que a gente deste Reino, assim no comer como no vestir de suas pessoas, e folgam de ajudar uns aos outros com seus escravos e favorecem muito os pobres que começam a viver na terra. Isto se costuma nestas partes: e fazem outras muitas obras por onde todos têm remédio de vida e nenhum pobre anda pelas portas a pedir*** como neste Reino.

* Riqueza e prosperidade na época era dispor de escravos;
** “com mais descanço que neste Reino” = o autor quis dizer que a vida era melhor aqui no Brasil que em Portugal, porem parece que qualidade de vida na época estava mais ligada ao ócio;
*** “Anda pelas portas a pedir” = mendigar, aqui Gandavo insinua que a mendicância era comum em Portugal.

Se voce gostou deste texto, leia também “Os indios Aymorés”, neste site.

Pero de Magalhães Gandavo


Link-para-mais-cartas-e-documentos5

Link-para-outras-antologias3
Home51